Misturas de tanque: importância, benefícios, dicas práticas e assertividade na aplicação

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Dentro do setor agronômico, muito se fala a respeito da forma correta de se selecionar, regular e calibrar um pulverizador, além dos fatores a serem observados na adequada seleção das pontas de pulverização a serem utilizadas. No entanto, outro aspecto relacionado a aplicação de produtos fitossanitários surge de maneira frequente nas discussões no campo: qual o modo correto de preparar a mistura de tanque?

Os agrotóxicos utilizados na agricultura não têm espectro de ação capaz de controlar o conjunto de problemas fitossanitários, o que faz com que os agricultores usem diferentes moléculas de uma só vez, tornando as misturas uma prática comum. Para saber mais sobre o assunto, conversamos com o professor Marcelo Madalosso da Universidade Regional Integrada – URI, Campus Santiago. Ele explica as vantagens obtidas ao se realizar uma mistura de tanque adequada e dá dicas práticas que podem ajudar de forma efetiva no momento de realização destas misturas. Confira!

1 – Mais Soja (MS): Por que o produtor realiza as misturas de tanque?

Marcelo Madalosso (MM): A mistura em tanque é realizada pelo produtor para otimizar algumas atividades e recursos. Com a mistura, o produtor aproveita o momento de entrar na lavoura e consegue combater várias pragas, doenças e plantas daninhas, sem precisar aplicar cada produto individualmente. Além disso, existem algumas combinações de produtos que podem ter efeitos sinérgicos, ou seja, um produto ajuda o outro a funcionar de forma mais eficiente do que se fosse aplicado de maneira isolada. Outro ponto relevante, é a possibilidade de utilizar vários produtos com diferentes mecanismos de ação sobre os insetos, doenças ou plantas daninhas, retardando o processo de resistência destes alvos na lavoura. Esta prática também é importante para o produtor conseguir aplicar os defensivos no melhor momento, evitando os horários inadequados. Por fim, outras variáveis importantes podem ser consideradas, como por exemplo, os custos elevados de condução da lavoura, a economia de diesel e de mão de obra.

2 – (MS): Quais cuidados devem ser tomados ao se realizar misturas de tanque?

(MM): Para realizar uma mistura de tanque eficaz é necessário ter conhecimento a respeito de alguns aspectos básicos:

  • Conhecer as características físico-químicas da água que será utilizada na mistura;
  • Conhecer o pulverizador, principalmente o tipo de bomba e o sistema de agitação utilizado;
  • Conhecer os produtos: tipos de formulação e ingrediente ativos;
  • Trabalhar com pré-misturadores;
  • Obedecer a ordem correta de adição dos produtos no tanque;
  • Conhecer os adjuvantes. Produtos que podem auxiliar na fluidez da calda;
  • Acompanhar a adição dos produtos na mistura em suas interações físicas [formação de grumos, espuma, precipitados, separação de fases…] e químicas [pH e Condutividade Elétrica].

3 – (MS): Quais dicas práticas podem ajudar de forma efetiva os produtores no momento de realizar as misturas?

(MM): As dicas que eu daria para o produtor são:

  • Leve a água que será utilizada na mistura para análise;
  • Vá até o pulverizador e olhe a inscrição na bomba da vazão [20% da vazão irá para a agitação do tanque – bombas centrífugas];
  • Não deixe a calda pronta por muito tempo, muito menos parada. O ideal é que imediatamente após feita a mistura se realize a aplicação. Grande parte dos produtos sofrem degradação por hidrólise, fotólise e oxidam, podendo perder sua finalidade completa.
  • É fundamental fazer o teste antecipado em garrafa PET, com os produtos indicados para utilizar na lavoura. Essa prática evita muitas surpresas indesejadas na hora da aplicação.

4 – (MS): Quais os cuidados para que se preserve a eficiência da mistura durante a aplicação?

(MM): É preciso saber que estamos induzindo reações químicas. Todos os produtos colocados em contato, por meio do veículo água, irão interagir. Assim, é preciso seguir os tópicos acima

5 – (MS): Em relação a cultura da soja: qual a importância da primeira aplicação de fungicida?

(MM): É fundamental entender que existem três fundamentos técnicos que sustentam a primeira aplicação:

1- Doença: o objetivo é atingir o patógeno nos seus primeiros ciclos de evolução, retardando a epidemia;

2- Planta: devido a características morfológicas, folhas novas tem maior potencial de absorção de produtos que as folhas mais velhas e, por isso, a aplicação no início do ciclo da planta é mais eficiente;

3- Tecnologia de Aplicação: a última chance de atingir o baixeiro [em quantidade necessária de gotas] é antes de fechar as entre linhas. Caso contrário, não conseguiremos retardar a epidemia que estará em crescimento e as folhas do baixeiro estarão mais envelhecidas.

6 – (MS): Quais as maneiras corretas de aplicação dos fungicidas e quais os problemas que o produtor pode enfrentar caso não siga as recomendações técnicas?

(MM): A aplicação precisa ser realizada no momento climático ideal. Esta frase é tão complicada, que quase chega a ser utópica. É preciso entender que somos um produtor de gotas, e que, cada gota de aplicação gerada precisa ser projetada no ambiente, permanecer “viva” até chegar na folha e, ainda dar tempo para a planta absorver o princípio ativo. Em síntese, quem governa o melhor momento da aplicação não é o horário do relógio e sim a condição climática que que a gota produzida será exposta. Medir isso só é possível, através de um equipamento portátil chamada termo-higro-anemômetro.

Produção: Bruna Eduarda Meinen Feil, Assessora de Imprensa Equipe Mais Soja.

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