Alternativas de controle químico na dessecação de Losna branca (Parthenium hysterophorus) em pré-semeadura do milho

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O trabalho teve como objetivo avaliar o efeito do herbicida glyphosate e de sua associação com outros herbicidas na dessecação de losna branca  em pré-semeadura do milho

Autores: Raiane Vaz Maciel(1), Julliana Borges Morato(2), Wilton Tavares da Silva(1), Isabela Goulart Custódio(2), Décio Karam(3) e Alexandre Ferreira da Silva(3)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

As plantas daninhas possuem grande importância na produção agrícola, podendo ser um fator limitante de rendimento e de produtividade, causando prejuízos diretos e indiretos à cultura (Karam et al., 2013). A correta identificação das espécies infestantes e o conhecimento de suas frequências na área são importantes para a seleção de métodos mais eficientes de controle, pois, cada espécie apresenta uma potencialidade em se estabelecer e consequentemente uma agressividade particular, o que acaba por interferir de forma caracterizada na cultura (Albuquerque et al., 2008).

A dessecação pré-semeadura é uma prática que permite que a cultura germine no limpo, garantindo vantagens competitivas a essa com relação às plantas daninhas. Contudo uma forma mais eficiente para reduzir a competição é a associação de dessecantes a herbicida de efeito residual no solo (Spader & Mukuch, 2010).

Originária do nordeste do México, a losna branca (Parthenium hysterophorus) foi introduzida acidentalmente em diversos países, como Índia, Austrália, EUA, China, Paquistão e Brasil (Carvalho et al., 2012). Essa espécie pertence à família Asteracea, possui reprodução por sementes, vegeta o ano inteiro e com longo período de florescimento. Trata-se de uma planta daninha naturalizada com características ruderais, ou seja, invade pastagens degradadas, áreas urbanas e agrícolas, além disso, a losna branca é considerada uma das dez plantas daninhas mais agressivas do mundo.

O glyphosate é um herbicida não seletivo e inibidor da enzima EPSPS, responsável pela síntese de aminoácidos. Ele pode ser utilizado individualmente ou em mistura e esta pode proporcionar maior eficiência de controle de plantas daninhas. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito do herbicida glyphosate e de sua associação com outros herbicidas na dessecação de losna branca (Parthenium hysterophorus) em pré-semeadura do milho.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido a campo, na Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas – MG, num Latossolo Vermelho com textura argilosa. Foram instalados 12 tratamentos, dispostos em delineamento inteiramente casualizados, com quatro repetições. Cada parcela foi onstituída de uma área útil e uma testemunha auxiliar. Os tratamentos utilizados estão descritos na Tabela 1.

Tabela 1. Herbicidas aplicados no controle de losna branca (Parthenium hysterophrus).

Os herbicidas foram aplicados utilizando-se pulverizador a pressão constante (CO2) de 3,0 kgf e volume de calda de 120 L ha-1. Durante a condução do experimento, as temperaturas máximas e mínimas foram, em média de 30 °C e 21 °C, respectivamente. A precipitação pluviométrica mensal média foi de 144,1 mm.

As avaliações de fitotoxicidade visual foram realizadas aos 7, 14, 21 e 28 dias após aplicação (DAA), utilizando-se escala de 0 a 100%, onde 0 significa ausência de sintomas e 100% morte das plantas. Os resultados observados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

Os níveis de controle dos tratamentos diferiram somente aos 7 e 14 DAA (Tabela 2). Aos 7 DAA os tratamentos envolvendo a mistura de glyphosate + ammonium glufosinate ocasionaram maior fitotoxidez a losna. Misturas são utilizadas para potencializar a ação dos herbicidas, além disso, o seu uso permite a redução das doses, consequentemente reduzindo o risco de fitotoxidade as culturas, o efeito residual no solo e custo de controle das plantas daninhas (Figueiredo, 2015). A maior efetividade deste tratamento em relação aos demais pode estar relacionada ao mecanismo de ação do ammonium-glufosinate. O seu efeito de inibição da síntese de proteínas diretamente envolvida no transporte de elétrons, causa insuficiência de glutamato, aspartato e alanina, aminoácidos essenciais na distribuição de nitrogênio para as células das plantas (Lea, 1991).

Tabela 2. Fitotoxicidade (%) causada por herbicidas isolados ou em associação em plantas de losna branca (Parthenium hysterophorus) aos 7, 14, 21 e 28 dias após aplicação (DAA).

Aos 14 DAA os tratamentos com glyphosate + ammonium-glufosinate na dose mais alta ocasionou nível de controle de 99% da planta losna. A possibilidade de acelerar a morte das plantas com a dessecação torna viável a semeadura antecipada e diminui o risco de perdas na produtividade. Os demais tratamentos apresentaram nível de controle, próximo ou superiores a 80%, indicando a eficiência dos herbicidas testados. A estratégia de se realizar o uso do herbicida paraquat sequencial a mistura de glyphosate + 2,4-D não ocasionou diferença no nível de controle aos 14 DAA. A aplicação sequencial de herbicidas de contato, como o paraquat no controle de plantas daninhas resistentes ao glyphosate ou em plantas mais desenvolvidas, tem-se mostrado como uma interessante alternativa de controle.

Gemelli et al. (2012), relatam que uma estratégia viável para o manejo de plantas adultas de capim-amargoso, resistente a glyphosate, consiste na aplicação de herbicidas de contato como o paraquat e ammonium-glufosinate 15 dias após a utilização dos inibidores da acetilcoenzima A carboxilase (ACCase). No entanto, a ausência de diferença do nível de controle entre os tratamentos com e sem aplicação sequencial de paraquat aos 14 DAA, pode ser atribuída a suscetibilidade da losna a mistura herbicida, indicando que não há necessidade de se realizar uma segunda aplicação.

Aos 21 e 28 DAA os tratamentos não diferiram entre si (Tabela 2). Todas as alternativas de controle aos 21 DAA proporcionaram nível de controle superior a 90% e 100% aos 28 DAA. A associação de herbicidas com diferente mecanismo de ação é prática recomendada para reduzir a pressão de seleção sobre biótipos resistentes além de aumentar o espectro de controle da comunidade infestante.

Conclusões

Não é necessário o uso de misturas para controlar Parthenium hysterophorus, já que o glyphosate é eficiente quando aplicado isolado. Porém, é recomendado o uso de misturas para antecipar esse controle, bem como amenizar a pressão de seleção sobre biótipos resistentes.

Agradecimento

À FAPEMIG pelo apoio financeiro.

Referências

ALBUQUERQUE J.A.A.; SEDIYAMA, T.; SILVA, A.A.; CARNEIRO, J.E.S.; CECON, P.R.; ALVES, J.M.A. Interferência de plantas daninhas sobre a produtividade da mandioca (Manihot esculenta). Planta Daninha, Viçosa – MG, v. 26, n.2, p.279-289, 2008.

CARVALHO, S.J.P.; MACHADO, E.C.R.; MARQUES, B.S.; SILVA, A.P.P.; LIMA, R.S.O.; COSTA, R. Atividade relativa da catalase de losna-branca (Parthenium hysterophorus) comparada à de outras espécies daninhas. Planta Daninha, Viçosa – MG, v.30, n.2, p.395- 400, 2012.

FIGUEIREDO, M.R.A. Interação entre os herbicidas 2,4-D e glifosato: aspectos químicos, bioquímicos e fisiológicos. 2015. 114f. Dissertação (Mestrado em fitotecnia) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2015.

GEMELLI, A.; OLIVEIRA JR., R.S.; CONSTANTIN J.; BRAZ, G.B.P.; JUMES, T.M.C.; NETO, A.M.O.; DAN, H.A.; BIFFE D.F. Aspectos da biologia de Digitaria insularis resistente ao glyphosate e implicações para o seu controle. Revista Brasileira de Herbicidas, v.11, n.2, p.231-240, 2012.

KARAM, D.; GAZZIERO, D.L.P.; VARGAS, L.; SILVA, A.F. Milho transgênico e manejo de plantas daninhas em milho. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE MILHO SAFRINHA, 12., 2013, Dourados. Anais… Brasília: Embrapa, 2013.

LEA, P.J. The inhibition of ammonia assimilation: a mechanism of herbicide action. In: BAKER, N.R.; PERCIVAL, M.P. (Eds.). Herbicides. New York/Amsterdan: Elsevier. 1991, p.267-297.

SPADER, V.; MAKUCH, E. Associação de herbicidas residuais na dessecação em préemergência de soja RR. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIENCIA DAS PLANTAS DANINHAS, 27, 2010, Ribeirão Preto. Resumos… Ribeirão Preto.

Informações do autores:     

(1)Graduando(a) em Engenharia Agronômica, Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), Sete Lagoas –MG;

(2)Mestrandas em Ciências Agrárias, UFSJ, Sete Lagoas – MG;

(3)Engenheiro(s) Agrônomo(s), Dr., Pesquisador(es), Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas – MG.

Disponível em: Anais do XIV SEMINÁRIO NACIONAL DE MILHO SAFRINHA, Cuiabá – MT, Brasil,2017.

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